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Egressa do PPGAC expõe obra apresentada na Quadrienal de Praga pela primeira vez no Brasil

Vanessa Croft, atualmente doutoranda do PPGACT, apresenta a estrutura “A Onda” no festival Claque Cultural, em parceria com o SESC

A egressa do mestrado em Artes da Cena e atual doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Artes, Culturas e Tecnologias (PPGACT), Vanessa Croft, teve seu trabalho “A Onda” exposto no Brasil pela primeira vez, após integrar a Quadrienal de Praga (2023), na República Tcheca, um dos mais importantes eventos internacionais das artes da cena.

A obra integra a 3ª edição do Claque Cultural 2025/2026, festival realizado em diversas cidades de Goiás e da Bahia, entre 1º de outubro de 2025 e março de 2026, com uma programação diversificada de apresentações artísticas, culturais e musicais. A ação é realizada pelo Governo de Goiás em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc).

“A Onda” é uma estrutura metálica em forma de globo, composta por monóculos que abrigam fotografias produzidas por Vanessa durante sua pesquisa de mestrado, intitulada “Teatralidade: Fotografia da Dor”, orientada pelo professor Dalmir Pereira, do PPGAC. Além da estrutura, a artista também apresenta o “Álbum de Sobrevivência”, reunindo séries fotográficas desenvolvidas a partir das experiências vividas durante a pandemia da Covid-19.

De acordo com a pesquisadora, o projeto nasceu antes mesmo do ingresso no mestrado, como uma tentativa de elaborar, por meio da arte, os impactos do isolamento e da perda. Ela explica que as obras atravessam o início, o meio e o fim do período pandêmico, articulando experiências pessoais e coletivas. “Essas obras são a minha pesquisa de mestrado. Começou como uma catarse, uma tentativa de colocar para fora as angústias que todos nós vivemos durante a pandemia”, afirmou.

Entre os elementos simbólicos presentes nas obras está o uso de um cobertor hospitalar, que aparece em uma das fotografias inspirada na imagem da Pietà. A artista explica que o cobertor hospitalar utilizado em uma das obras foi o mesmo que cobriu o corpo de seu pai após sua morte e que, ao ser deslocado para o campo artístico, passa a operar como um sintoma de uma dor coletiva, evocando a memória das perdas vividas durante a pandemia.

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Créditos imagem: Vanessa Croft.

 

A estrutura “A Onda” também faz referência direta à morfologia do coronavírus, ampliando o diálogo entre arte, ciência, memória e política. Vanessa destaca que muitas das imagens foram produzidas em espaços carregados de significado histórico e afetivo de Goiás, como o Monumento aos Mortos e Desaparecidos da Ditadura Militar, em Goiânia.

Para a pesquisadora, levar uma obra que nasce no contexto universitário para um espaço cultural como o Sesc amplia o alcance e o sentido da pesquisa. “Enquanto artista, depois que a arte é feita, a gente quer que todo mundo veja, que todo mundo acesse, que todo mundo tenha essa proximidade, porque é uma forma de pôr para fora um sentimento que o artista realmente acredita que realmente os outros também vão ter uma conexão”, relatou Vanessa.

A experiência no Claque Cultural também reforça a indissociabilidade entre criação artística e pesquisa acadêmica, marca da trajetória de Vanessa Croft. Ela ressalta que o desafio não esteve apenas na elaboração conceitual das obras, mas também na criação de um espaço expositivo acessível, que convidasse o público a manusear, folhear e interagir com as fotografias de forma sensível e acolhedora.

Após a exposição, a artista já projeta novos desdobramentos para a pesquisa, incluindo a ampliação das obras em formatos maiores e o aprofundamento do diálogo com o tableau vivant, linguagem que passa a integrar sua investigação no doutorado.

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Fuente: PRPG UFG

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